Crítica: Em “Simplesmente Acontece”, tudo simplesmente acontece mesmo

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Simplesmente Acontece critica


Filme: Simplesmente Acontece (Love, Rosie)
Direção: Christian Ditter
Crítica Noobz: Ruan Sales

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O
título adotado no Brasil para a comédia romântica “Love, Rosie” contém uma
observação muito acertada sobre a trama. No roteiro que abarca mais de 15 anos
da vida dos protagonistas, as desventuras se sucedem, os dramas se apresentam, mas
não se desenvolvem: o ritmo acelerado convida o espectador a apenas observar
enquanto tudo simplesmente acontece. Na tentativa de conferir leveza à obra,
não só os conflitos foram abreviados e suavizados, como até mesmo a paixão se
apresenta morna, anódina. Em consequência disso, mas também devido às atuações
medianas, a relação entre Rosie (Lily Collings) e Alex (Sam Claflin) não
convence, o que compromete toda a história.


Simplesmente Acontece Critica




Não
há sequer a compensação de uma evolução interessante das personagens. Por esse
critério cada vez mais observado por um público acostumado a séries e sagas, o
filme mais uma vez fracassa. A boa trilha sonora de sucessos da música pop
ajuda a marcar a trajetória da jovem espevitada, insegura e nada assertiva. Na
pista da sua festa de 18 anos, Rosie vibra ao som de “Crazy in love” e grita o
nome de Beyonce antes que o excesso de bebida a derrube. Bem mais velha, embora
não mais madura, ela enfrenta outro erro ao som de “Fuck you” da britânica Lily
Allen
. A música tema da personagem, contudo, poderia muito bem ser outra
bastante diferente: “In the backseat”, Arcade Fire. Rosie, como o eu poético da
canção, prefere a paz do banco de trás, onde não precisa dirigir, nem falar,
onde pode ver o campo e adormecer. Do início ao fim ela é sempre surpreendida
pelos acontecimentos, quase sempre levada pelas circunstâncias, enquanto Alex passa
do papel de galã colegial perfeito ao de homem dos sonhos, mudando muito pouco.


Simplesmente Acontece Critica




O
desfecho previsível, sem brilho, chega fora de hora e deixa no ar a pergunta de
Brás Cubas, no clássico de Machado de Assis: “o eflúvio da manhã, quem é que o
pediu ao crepúsculo da tarde?”. Talvez o tempo, que passa tão rápido na tela e
afeta tão pouco o casal principal, merecesse uma atenção maior. Talvez assim
acreditássemos mais na história de amor. Talvez assim ao menos o relógio fosse
esquecido pelo espectador.

Trailer





Avaliação:
Regular
Por Ruan Sales.




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